Algo que poderia aplicar a isso que engloba como uma lesma gigante, envolve como um polvo em águas negras e aperta com braços de preguiça, esse monstro multi-facetado e enorme em peso e ignorância e viscosidade, formação de raízes imensamente complexas enroscadas sobre si mesmas, esse ninho onde coabitam vermes multiformes, serpentes comendo o próprio rabo e buracos de minhoca no espaço, uma mistura explosiva e perigosa, caleidoscópica e labiríntica. Existência: ocupação que suga e nutre numa troca lasciva de gosma e saliva, e nos arrasta com seus barbantes multicoloridos por mangues fedorentos e mares rasos com quase nada de vongoles ou caranguejos e resmungos de um pescador de dentes tortos e aparelho no ouvido, feio e surdo o pobre coitado, uma tarrafa infeliz enrolada no braço, enquanto eu tentava puxar assunto para registrar num gravador de mão as falas roubadas para compor um personagem local em uma fábula ou poema épico, para numa publicação de alcance transnacional mostrar meu profundo entendedimento dos mais baixos instintos naturais do homem prostrado diante da maré e dos humores do mundo, deitado sob a via-lactea sem entender patavinas do espaço além-nuvens nem mesmo sabedor de sua pequenez relativa, coisas que eu e você conhecemos devido à divulgação em canais abertos dos documentários fabulosos do national geographic channel, sempre tão esclarecedores em matérias de importância comprovada, como é o caso presente, exemplo indiscutível.
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