cronopios brothers

The old cronopio said for his brother: “walk around the tree is like to buy a big-long-white-habbit without having money”. His brother suggested a comfortable smile and answer the other: “why not asking formatting calling stripped empty pockets every time the yellow sun returns from the last circle”? The other, without an answer or a suggestive couple of lost words even, said for his brother: “today in the morning, when the milkman brought two bottles, I asked myself about the first time we had brought one bottle, but I could not remember if you had beard or not”. The first supposed his brother was trying to get him in a kind of trick question, using familiar history as if the solution for their problems was in the old concepts of using strip faces in winter days, then he said: “my old-first-brother, why not drink some milk and run of about the past? maybe we can chew some tobacco and spit the brown substance in our shoes”? without saying a word the first cronopio agreed, and the two seers, like a couple of red butterflies, began to write the history using their feet.

No fun

sun outside
kind of strange useless air in here
this cold electrical wind
no flies
no fun.

Freezing

Freezing city was too white to stand too long. love spoke like silence and my hands tried to hold that thing like fire. she told i should leave at once but i could not hear quite clear. it was late and cold dark. got lost. later at the hotel the old man gave me her message. but then i had the bridge to cross and trembling tried to fix the mess around the room.

O ato de escrever

Muitas pessoas já escreveram que o ato é mais importante que o resultado, não lembro quantas, mas acho que bastante delas. Claro que primeiro vem o pensamento, a intenção, o ato e finalmente o resultado. Talvez, se eu entendesse um pouco mais sobre o funcionamento do cérebro, pudesse escrever de forma um pouco mais convincente sobre o tema. Posso recorrer a alguns bons livros, ficar alguns dias pesquisando e no final ter conhecimento suficiente para escrever sobre o assunto. Assim faz qualquer escritor profissional que quer escrever sobre um tema desconhecido para ele. Se a estória é sobre um assalto à banco o escritor recorre à literatura policial, aos relatórios policiais de casos específicos, procura também os construtores de cofres bancários e talvez neste estágio ele descubra tanto sobre o funcionamento de um cofre que resolva roubar um banco e não mais escrever um livro, que provavelmente será um fracasso. As pessoas não têm mais paciência para ler livros grandes e maçantes como este escritor quer escrever. Então ele (você) viaja para o Nepal, onde um dos seus melhores amigos se isolou há dez anos. Troca algumas idéias com ele e o convence sobre essa maravilhosa idéia de roubar um banco. Mostra para ele as plantas, explica o funcionamento do relógio do cofre, programado para desarmar em uma hora especifica do dia. Vocês viajam e no aeroporto de Bombaim, em uma pausa para fazer a ponte aérea, você resolve comprar alguns amendoins, enquanto seu amigo fica cuidando das bagagens de mão. Quando você retorna, tanto seu amigo como suas bagagens não estão mais no local onde você havia deixado. Você não acredita mais que seja seguro deixar seus textos guardados na memória do computador, pensa isto após de ter digitado o último ponto depois de “deixado”. Você vai até a janela, acende um cigarro e olha para os garotos catando comida no lixo, depois se vira e olha para seu notebook ainda ligado com as últimas palavras em Garamond peso 12. Salva o texto, desliga o editor de textos e fecha o computador. Liga ele novamente, abre o editor de texto e salva em um disquete suas últimas palavras. Desliga o editor de textos, fecha o computador e vai ao banheiro. Olha novamente para sua cara no espelho, visão lateral com o canto dos olhos dessa vez. Você tem duas opções agora, pois o computador está desligado e você não pode mais escrever. Você pode descer até a recepção e ler alguns jornais, ou pode fazer algumas ligações e descobrir quem realmente é em que parte do planeta está hospedado. Esta última alternativa é mais complicada, mas você resolve arriscar. Pega o telefone e fica olhando para as teclas, tentando pensar em um número convincente: disca com maestria. Do outro lado da linha o telefone toca uma, duas, três, quatro vezes e então alguém atende: “Hello, no one is available to take your call, please leave your message after the tone”.Você desliga e não consegue pensar em nenhum outro número convincente. Resolve descer até a recepção para ler alguns jornais.

A Garçonete e o Pecador

em breve, foi um pedaço do que ela disse e eu não entendi, ou algo que imaginei e gostaria que ela tivesse sido clara, que estivesse falando comigo. por alguns instantes eu tinha certeza de tudo: de que ela estava ali, que respirava, podia sentir seu bafo quente em minha cara, como o mormaço do asfalto nos dias de chuva e sol de verão. por um momento eu tive certezas, mas depois fui engolido pela nebulosidade. e logo voltei a gravitar, tonto em seus olhos, amarrado ao nó do seu avental que balança como o mar quando ela volta para trás do balcão. eu sempre me deixo encantar. sou louco e brega, queria dizer-lhe, caio em tentação, me deixo apaixonar. por que ela continua me olhando? serve um café com uísque e chantilly, vem mais uma vez e troca meu cinzeiro. eu não devia beber, nem pensar, nem fumar. por ela? por quem então? viro minha ampulheta e agora ela traz um uísque sem gelo, porque quero suas mãos quentes. deveria sair mas essa cadeira não me larga, eu te amo, eu te adoro, eu te desejo, eu me lambuzo em tua língua úmida, em tua pele suada, em tuas entranhas molhadas que sempre me desdobro para imaginar. se eu, se eu, se eu, mas não. não consigo fugir disso, nem de mim mesmo nem de você, ou dessa mesa que gira e desses objetos sobre a mesa e das lâmpadas quentes do café. eu de novo todo dia, sempre o mesmo canto e mesma mesa, e ela que sempre vem, e me atende, e toca o que me serve, e eu tonto sempre gravito, que será isso? oh, seus olhos: poderia nadar em seus olhos até o fim dos tempos sem nunca magoá-la. e acabo minhas doses, e acabo meu café, e termino meu cigarro. eu sei que ela me perdoa por tudo enquanto lava os copos; seu corpo fala em movimentos ondulantes, meu cérebro capta e decifra e entende suas mensagens. e finalmente, quando ela traz a conta eu sei que é minha remissão, e sorrio humilde e contrito. no caminho de casa vou pagando meus pecados.

Efraim

sim, é uma boa cafeteira. passei horas na banheira meditando a respeito. aquele cafezinho doce e gostoso. também gostei da mesa de sinuca. precisamos comprar uma daquelas, posto que já conseguimos a cafeteira. uma pena que efraim não tome café, mas pelo menos ele joga sinuca. isso pode ser a prova de que ainda é um ser humano. confesso que em ocasiões diversas desconfiei de sua natureza, ainda mais depois daquela tarde em que ele vomitou aquela coisa verde dentro do copo, com tanta desenvoltura, sem sujar os bigodes, e depois entornou a gosma em pequenos goles, como se fosse vinho ou suco de goiaba. um alienígena, pensei. e você fez o café, ele rosnou quando você se aproximou com a xícara.

Luis Travaglia

leva sempre à frente seu nariz reto de abas curtas que deixam exposto o excesso de septo. de ombros largos e membros curtos, anda como um lagarto gordo, porém alcunharam-no sapo, por causa dos músculos salientes em forma de batatas inchadas. usa sempre calças curtas e bebe cerveja misturada com xarope de cola, o que deixa sobre seu lábio superior uma marca espumosa e escura em forma de bigode. famoso na redondeza como carneador de porcos, prefere matá-los a marteladas, prática considerada excessiva e extravagante, apesar de tradicionalmente empregada nos tempos antigos. mas, a despeito do sucesso entre os camaradas, é evitado pelas mulheres, porque elas não gostam do jeito como ele cospe para o lado quando é interpelado e de sua incorrigível mania de arrancar os pelos do próprio nariz em público.

Marilda Pontes

magra e ligeiramente corcunda, olhos miúdos e enfiados, atrás de um nariz quebrado e bojudo, andando sempre a pé para não gastar com ônibus e guardar as economias para o casamento. quase quarenta anos sobre as costas tortas, ainda procura um noivo, sem nunca ter conseguido um namorado. graças a seu irmão dagoberto, deixou de ser virgem aos treze e depois disso toda vez que se toca vira a imagem da santa para a parede, porque não gosta de enfrentar daqueles olhos puros de vidro. encantada por passarinhos, prefere o chupim-do-brejo ao pintassilgo.

LIVROVSKI

SATUNSATIANOS

CONVIDO SENHORIAS VOSSAS PARA LANÇAMENTO LIVROPOEMAS DESTE MISSIVISTA. DIADATA VINTEOITO MES ESTE ABRILHO ANODOISMILECUATRO. EVENTO REALIZARSEA PREDIO B NO CENTRO COMUNICAÇAU EXPRESSAU - VULGO BASICO. UFSC. BAVARIA. ETC. NOME LIVRO DIA DE MORRER AOS POUCOS. AQUISISAU EXEMPLAR NÃO NECESSARIA, APENAS PRESENÇA COMPARSAS SATUNSATIANOS A FIM LUDIBRIAR GRANDE IMPRENSA REPRESENTANDO EVENTO GRANDES PROPORÇOES. DATAHORA 19HH OOMIN.

SS

segundo dia - descobertas

hoje quatorze minha rotina serpenteou por baixo da porta e tentou roubar o ar dos meus pulmões enquanto meus longos cabelos molhados fabricavam coriza nem bem as buzinas começaram. o animal se teleportou para dentro do quarto e arranhava a porta por dentro com fúria, tentando sair para a área aberta. a fêmea olhava para fora ainda sem entender ou acreditar que nós havíamos feito aquilo com ela. não falei muito durante o café! tentei ser o mais natural possível e esqueci meus planos de assassinato. durante o banho ainda pensei em comprar um revolver e apontar para a cabeça dos meus devedores, que me tratam como moleque mesmo depois de anos de dívida. depois pensei que seria como cristo ou outro desses homens que perdoam tudo e oferecem ainda mais possibilidades para que esses maldosos dancem espera e catala de forma tão desafinada que dói o estômago. as rodas de borracha na rua derretendo embaixo do sol forte e as teclas com uma pequena corroa de sujeira marrom eram poucas inspirações para continuar dentro da grande sala regada por ar refrigerado. hoje quatorze eu percebi que havia uma chance, pois a torre de caixas de papéis sustentada pelos jornais umedecidos havia perdido o equilíbrio.