de longe sinto esse teu cheiro de cadela
que me acorda para a danação dos dias
mas andas com varões de outra alcatéia
e eu ando sozinho pelas ciclovias
na esperança de morrer atropelado
corto minhas veias e deságuo
viajo em oceanos de agonia
carmíneo grito desta espada damasquina
penso-te e o cérebro queima em ácido
maldita azia intelectual eu estou farto
guardo a morte embaixo do meu travesseiro
e lhe sussurro os meus secretos planos
minha cadela ’inda te enlaço pelo rabo
e andar grudados pelo resto desses anos.
Arturo Labrador (1843 - ?)