hoje quatorze minha rotina serpenteou por baixo da porta e tentou roubar o ar dos meus pulmões enquanto meus longos cabelos molhados fabricavam coriza nem bem as buzinas começaram. o animal se teleportou para dentro do quarto e arranhava a porta por dentro com fúria, tentando sair para a área aberta. a fêmea olhava para fora ainda sem entender ou acreditar que nós havíamos feito aquilo com ela. não falei muito durante o café! tentei ser o mais natural possível e esqueci meus planos de assassinato. durante o banho ainda pensei em comprar um revolver e apontar para a cabeça dos meus devedores, que me tratam como moleque mesmo depois de anos de dívida. depois pensei que seria como cristo ou outro desses homens que perdoam tudo e oferecem ainda mais possibilidades para que esses maldosos dancem espera e catala de forma tão desafinada que dói o estômago. as rodas de borracha na rua derretendo embaixo do sol forte e as teclas com uma pequena corroa de sujeira marrom eram poucas inspirações para continuar dentro da grande sala regada por ar refrigerado. hoje quatorze eu percebi que havia uma chance, pois a torre de caixas de papéis sustentada pelos jornais umedecidos havia perdido o equilíbrio.
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