Realidade dos textos

Os entes deste mundo, como o Cronópio ou o coelho da Bavária, vão sendo construídos através da correferenciação nos textos do Satunsat, o que limita, de certa forma, o contexto significativo. Esse mundo se quer autóctone, um mundo laboratório numa redoma, criando-se a partir das auto-referências num labirinto de textos, numa lógica não simplificada e mais ou menos assistemática, repetindo artificialmente o processo de nascimento de um contexto ou mundo possível. Ao mesmo tempo em que a maioria dos textos pode ser lida e compreendida satisfatoriamente isolados, parece que o Satunsat quer ser entendido como uma composição pictórica mais do que como um conjunto enciclopédico de textos independentes. A leitura do conjunto dos textos sobre os entes, criados através de uma perspectiva muito mais estética que informativa, talvez acabe por despertar no leitor um novo entendimento sobre o processo de criação do texto, e com alguma sorte este possa vir a compreender que a experiência da busca de significado, esse jogo em busca do sentido das coisas, esse caminho pelo labirinto, seja exatamente o que o Satunsat representa e espera dele, no desafio de cada unidade textual e do conjunto em construção. A busca de significados através dos jogos estéticos, se não dá respostas exatas, pode pelo menos instigar questionamentos e fazer o leitor mergulhar em outro tipo de experiência, abrindo seus sentidos para diferentes perspectivas da realidade dos textos.

Choker, G.V. & Bruen, L.C. Texto e coerência. São Paulo, Ed. Casa Tomada, 2003, p.26. in Introdução à Lingüística: domínios e fronteiras, V3, , Souza, A., Campos, D.L. (orgs.) – São Paulo, Cortez, 2004, p.257.

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