Saga do Coelho Pai - Tomo I

Um Coelho da Bavária lê seu livro de receitas deitado em um sofá de folhas verdes. Seu pequeno filho baba aos seus pés, olhando para a lareira feita de tijolos à vista. O coelho pai então sente que atingiu um nível de conhecimento que extrapola qualquer outro coelho de sua vila. O coelho pai começa a mexer a mandíbula a uma velocidade tão grande que toda a vizinhança sai das tocas e começa a dançar sem parar e chamam ogros e centopéias e ciclopes e então este coelho leitor do livro de receitas propõe que chamem os cronopios também. Todos param por um instante e olham sério para ele e o pobre coitado se sente realmente enxovalhado com aqueles olhares de desprezo.

Nas duas semanas seguintes ele perde o emprego, a mulher e é expulso de sua toca. Todos o odeiam tanto que o coelho resolve fugir para algum país latino americano através do mar. Nadando sempre na transversal ele chega a uma pacata ilha recheada de tatus bola, que são parentes em quinto grau dos coelhos bavarenhos. Tudo transcorre tão bem e o coelho sente-se tão feliz, que acaba sentindo uma aflição enorme devido à vida fácil e prazerosa.

Um mês depois o coelho suicida-se e deixa a seguinte carta em dialeto coelhês: “blablabla blablabla blablabla blablabla blablabla blablabla blablabla blablabla blábláblá.”

Estudiosos de diversas áreas formam um grande círculo de estudo em torno da vida e da obra do coelho. A ilha fica superpovoada de teóricos que constroem uma enorme “catedral do conhecimento” para descobrir as causas do suicídio do coelho. A “cadedral” é rodeada por um enorme muro coberto com pontas de aço para que nenhum intruso incomode a união daqueles cérebros.

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