October 8, 2004 – 1:24 pm
enviei-te cópias das instruções dos jogos, conforme me havias solicitado na sexta. depois de todos os dominós soviéticos daquela noite, eu e Abraham (ele dirigindo a bolha azul) voamos até um lugar onde se vendia sanduíches recheados com o tradicional queijo derretido e presunto de porco português, além rodelas enormes de miolo de palmeira. eram [...]
October 4, 2004 – 12:55 pm
de longe sinto esse teu cheiro de cadela
que me acorda para a danação dos dias
mas andas com varões de outra alcatéia
e eu ando sozinho pelas ciclovias
na esperança de morrer atropelado
corto minhas veias e deságuo
viajo em oceanos de agonia
carmíneo grito desta espada damasquina
penso-te e o cérebro queima em ácido
maldita azia intelectual eu estou farto
guardo a morte [...]
September 30, 2004 – 1:13 pm
Tendo em vista a presença de odores estranhos no ar, principalmente no segundo pavimento do Edifício Central da Empresa, informamos o seguinte:
1. Na manhã de hoje foram aplicados sobre algumas folhagens um produto inseticida para combater insetos rasteiros;
2. Já foi suspensa sua aplicação;
3. O produto, por ser tóxico, exige cuidados especiais para quem o manuseia, [...]
September 27, 2004 – 1:12 pm
me propus parar de fumar pra ver se assim fico louco de uma vez. olho para o cinzeiro sujo. levanto para completar a xícara de café. volto e esqueço o que queria fazer. levanto mais uma vez e ando pela cozinha. depois vou revirar as caixas da estante. só havia um pacote de fumo de [...]
September 23, 2004 – 1:12 pm
Os entes deste mundo, como o Cronópio ou o coelho da Bavária, vão sendo construídos através da correferenciação nos textos do Satunsat, o que limita, de certa forma, o contexto significativo. Esse mundo se quer autóctone, um mundo laboratório numa redoma, criando-se a partir das auto-referências num labirinto de textos, numa lógica não simplificada e [...]
September 23, 2004 – 11:36 am
sossegado. Advogada nossa. Vida doçura esperança nossa. Ela passa devagar pelo céu, desliza entre brumas, descalça os sapatos, desfere palavras em baixíssimo tom, e Valdevino sobe o morro, pára no boteco pra cheirar um pó. Uma vez me disse: cada um na sua, uns gostam disso, outros daquilo, você tem a mente aberta, posso falar. [...]
September 23, 2004 – 10:08 am
Hoje o dia pareceu desgostoso e as pessoas todas prolixas em queixumes. O ônibus não andava e fazia muito calor, as garotas estavam ariscas e mesmo assim seus peitos gotejavam no meu pensamento a lamber aquele sal comum (cloreto de sódio), natural, que ocorre em forma de massas sólidas como rocha, geralmente coloridas por ferro. [...]
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September 22, 2004 – 2:05 pm
Um dos princípios fundamentais de interpretabilidade de um texto é a coerência. Conforme Koch, coerência é “o modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a construir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentido”. De modo que, se não conseguimos estabelecer esta configuração veiculadora de sentido, podemos dizer que o texto não [...]
August 12, 2004 – 11:12 am
depois que perdeu sua caderneta de notas, de tristeza, elisa trancou-se em seu quarto, sua pequena gaiola de vidro, e adoeceu em pensamentos profundos.
hoje, o que a perturba de verdade não é a ausência daquele objeto - um conjunto de folhas de papel pardo-claro retangulares superpostas e grampeadas na extremidade superior - mas o labirinto [...]
sun outside
kind of strange useless air in here
this cold electrical wind
no flies
no fun.